quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Hoje!

Hoje eu acordei diferente, nem mais feia, ou mais bonita, nenhuma diferença física, apenas com uma louca vontade de sair pela rua e gritar aos quatro ventos, de ir para uma festa, dançar, curtir e beber, esquecendo da vida e sem ter que me preocupar com ela. Uma louca vontade de pular como se não houvesse o cair, de correr sem destino, porque esse mesmo deixou de ter importância. Uma vontade suprema de esquecer a mim mesma e viver as coisas mais simples, de ficar sem dormir por horas, e deixar a timidez de lado. De encontrar um novo amor, assim, como esbarrar com alguém na rua, um pouco prático e fácil, um novo amor sem nenhuma dessas características clichês e sim aquele que me dê trabalho, me faça chorar, e logo após me faça sorrir, para me mostrar o quanto a vida pode ser bela se a vemos com a cabeça erguida e um sorriso nos lábios. Hoje acima de tudo, me deu uma estranha vontade de tentar, sem a ânsia da vitoria, e sim o desejo da tentativa! Vontade de dançar, mesmo sem saber passo algum. A vontade de sair pela rua e conhecer todos os desconhecidos, de passar o dia com novas pessoas em novos ambientes, rindo descontroladamente por motivos tolos, e então voltar para casa como se nada tivesse acontecido, poder olhar meus pais e correr para abraçá-los com a certeza de que nunca estarei só, de chamar todos os meus amigos e amigas e fazer uma festa intima, com muita bebida e o som absurdamente alto, de encher a cara e falar besteiras, fazer a vida como um todo e aproveitar como se não existisse o tão conhecido ‘amanhã’, porque é o hoje que nos importa. E assim enfim, botar a cabeça no travesseiro e de tão cansada pegar no sono rápido, para que no outro dia eu acorde com essa mesma louca vontade, hoje eu acordei diferente, nem mais feia, ou mais bonita, nenhuma diferença física, apenas com uma louca vontade de ser mais eu, sem vergonha de nada disso!

Need you now

Mais uma dessas longas noites sem a sua presença, apenas com a saudade que agora me faz companhia, deito na cama, como resultado de um dia cansativo, mas imerso em um mar de pensamentos e boa parte deles me lembram você, me levam a sua ausência e ao modo como você faz falta na minha vida, ao modo como você deixou de ser uma prioridade, e passou a ser apenas uma única opção, na verdade, eu deixei de ser uma prioridade pra você, e passei muito tempo sendo um passatempo, mas agora acabou, não resta mais tempo pra reviver o passado, lamentar os erros cometidos ou as palavras proferidas, agora só nos resta tempo de seguir em frente, de erguer a cabeça. Me pego abraçada, abraçada com tudo aquilo que esta em minha volta, tentando fazer com que a sua ausência não fosse tão perceptível, ou que eu não me impostasse tanto com ela, mal sabendo eu que nada irá amenizar essa dor que habita em mim, ou suprir esse vazio que você fez questão de deixar... Sem ao menos, entender que, a única pessoa que poderia ocupar esse tão conhecido vazio, é você... Mas eu já desistir dessa hipótese. É inevitável dizer que irei te esperar, ate o dia em que você volte correndo para me abraçar, confessando ter se arrependido, e dizendo que me ama mais do que qualquer outra pessoa. Mas logo percebo que não posso me apegar a essa idéia, você se foi e no seu silêncio pude notar que a chance de qualquer outro recomeço, era fora de cogitações. Onde está você quando eu mais preciso? Será que você não vê que eu preciso de você agora? Você se foi e se vai cada vez mais, e a única coisa que ainda permanece aqui, ao meu lado em todas aquelas noites frias, para me aquecer, são as lembranças. Lembrança de como você conseguia me deixar sem palavras tão facilmente e como conseguia compreender todos os meus sorrisos e os meus olhares sem jeito, como éramos felizes juntos, e como imaginávamos ter sido feitos um para o outro. Perdão não conseguir de esquecer assim tão rápido, é só que levei algum tempo para me apegar a cada uma dessas idéias, e manias, que agora me desapegar chegar a ser algo tão difícil. Onde está você agora? Por não volta correndo? Prometo que estarei aqui, que te esperarei... Hoje, eu posso lhe juras todas essas e outras coisas que não pude jurar antes. Juro sim, se houver um garantia de volta, de que você voltará a ficar comigo, e que voltará a ser o meu tudo, o meu mundo, mas eu desisto, preciso me recompor, preciso me adaptar a esta idéia, e reafirmo diversas vezes a mim mesma que você se foi, e não voltará, necessito refazer essa maquiagem já borrada, e enxugar essas lágrimas que insistem em cair no momento em que penso em você, por sinal, sempre ao lembrar você sorrio pelo que vivemos, porém também choro pelo nosso tão trágico fim, mas já foi, e agora só me resta uma única pergunta... Será que você realmente não vê o quanto eu preciso de você agora?

Por que insiste em ser o veneno?


Meu coração sangrando, e você ai, parado, com seu jeito observador que surpreendentemente ainda me deixa louca, alucinada, esse seu jeito de quem sempre fica quieto analisando a situação como se não pudesse fazer nada. Mas você sabe, você pode, só você tem a cura pra esse coração que pulsa e pula descontroladamente quando você está perto, só você pode me salvar, mas você insiste em ficar parado frio e calculista, você insiste em querer ser o veneno, em querer ser aquilo que  me mata aos poucos. Sua ausência, a ausência do teu cheiro, teus beijos, teu sorriso, a ausência de você me deixa maluca e doente, mas você insiste em se manter distante. Éramos um só a um tempo atrás, você me alimentou com sua fonte de mentiras, suas ameaças vazias,dizendo que iria embora e vejo que se foi, e então agora é só você, porque o eu não existe mais, você se foi, mesmo que eu saiba que ainda sente algo por mim, não há nada que eu possa fazer, além de te observar. E você fica parado, com seu jeito observador que surpreendentemente ainda me deixa louca, alucinada, você pode, você tem que fazer algo, eu suplico pra que me resgate desse estado de dependência extrema, eu grito em silêncio, porque o som das minhas palavras já não saem, e você hoje em dia já é incapaz de entender esse meu silêncio desesperador. Mas você insiste em ficar parado frio e calculista, porque você sempre tem que ser assim? Vivo nas sombras, mas já me acostumei a enxergar no escuro, e a lâmina da tua ausência que me corta a cada dia já provocou uma anestesia em mim, tento correr, mas não quero ir, sei que é isso que me prende aqui, é a minha vontade de você, o que fazer? Sei que devo ir, embora eu não queira, me tira daqui?  Você pode ser a cura, porque insiste em ser o veneno?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Solidão de si

Um amontoado de pessoas, de vidas, de humores, corações ansiosos para chegar ao outro lado, corações corriqueiros, só sabem seguir suas rotinas, monótonas e vazias. Corações vagos, como o daquela simples garota. As pessoas correm e pegam seus lugares na balsa, para irem sentadas, tentando dormir ou assistir um simples programa de TV, pessoas tentando esquecer a vida e os problemas, tentando escapar da realidade que te rodeia, te sufoca. A garota não, ela tem ânsia de resolver seus problemas, mas acima de tudo, de refletir sobre tais. Encosta-se à grade que te afasta do mar, ela tem vontade de pular, seria tão mais prático apertar o “game over” para que esse jogo da vida se acabasse logo. Porém, não é tão fácil assim, a realidade é muito mais dura do que se pode imaginar. Seus olhos castanhos escuros brilham e se enchem de lágrimas ao se deparar com aquele infinito azul, aquelas ondas te trazem vida, mas aquela vida te traz solidão. Uma solidão não de pessoas, mas de si, não que ela tenha tornado seu coração oco ou denso demais, apenas que ela tenha se esquecido do seu coração, não só dele, mas de toda vida e alegria que habitava nela. A jovem procurava a solução mais prática para aquilo tudo, tentava encontrar-se no labirinto que a mesma havia construído. Inclinou-se mais para frente, e jogou seu olhar para baixo, então se deparou com sua sombra, negra e vaga, como ela mesma poderia se descrever. Procurava se achar naquela sua sombra, porém nada encontrava, via-se perdida dentro de si.

O fim..

Mais um pouco daquele líquido ardente, em uma das mãos aquela garrafa de vidro que lhe fornecia coragem para seguir em frente com seus planos. Em outra das mãos um cigarro aceso. Tragou mais um cigarro, e aquela fumaça que antes seria tóxica para qualquer um, para ela agora não fazia mais efeito, havia tornado-se rotineiro e comum, aquela sensação de fogo por dentro, não trazia incomodo, e sim prazer. Era o final de toda trajetória mesmo, então a forma como o fim viesse era insignificante. Sentou-se no chão, gélido e branco, aquele banheiro a sua volta era comum, não lhe trazia lembranças tão marcantes, por esse mesmo motivo que o local foi escolhido, as lembranças que viriam, e as pessoas que surgiriam a sua memória a prenderia mais uma vez a essa vida, que de triste, deixou de ser bonita. Despedir-se das pessoas que tanto ama tiraria por completo a sua vontade do fim, destruiria seus planos e jogaria no lixo por completo a sua ânsia de acabar logo com isso. Ela era forte, porém não o bastante para continuar seguindo em frente. Acendeu seu último cigarro, e enquanto fumava, involuntariamente, lágrimas insistiam em cair, seus cabelos pretos já haviam perdido todo o brilho, e seus olhos castanhos repletos de lágrimas revelavam tristeza. Apagou o cigarro, e com a mão direita virou a garrafa, bebendo todo aquele líquido que descia queimando em seu interior. Pegou o revolver a sua frente, puxou o gatilho, e... O tão esperado e desejado fim, mal sabe ela que cometeu um grande erro, saiu da vida pra entrar na eternidade.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Romances diferentes.

Mais uma mulher, mais um homem, mais uma vida, um sorriso desperdiçado, um coração ferido e despedaçado. Resultado de uma mente imatura ou incapaz de amar o que lhe ama, de retribuir sentimentos e afeições. Um coração machucado de tanto amar errado, de priorizar quem não merece ser priorizado, de chorar por quem não merece suas lágrimas. Acontece, é só mais um romance que se equivocou, mais uma esperança que morreu cedo demais. Logo após um tempo, você percebe que algo mudou, como um papel amassado, um cristal quebrado, não volta ao normal, não volta a ser como era antes, algo está errado, ou certo demais, algo se contradiz. Porém você segue em frente, com suas cicatrizes que sempre deixam marcas, deixam acima de tudo o medo. Medo sim, de se envolver de novo, e cair novamente. Enfim, cada caso é um caso, e nem todos são correspondidos. São histórias diferentes, amores diferentes, mesmo que pareçam iguais.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Heart confused

E lá estava ela, uma cena pouco comum para uma garota tão agitada e extrovertida. Estava sentada na mesa da cozinha, a mão esquerda presa a sua xícara branca com chocolate quente, e seu olhar vago, parado em algum objeto daquele lugar. Porém pouco importava, seus pensamentos estavam em outro local totalmente diferente. Garota de pele pálida, cabelos bem pretos, bagunçados e sedosos, olhos tão escuros e brilhantes.
A chuva caía, o tempo era frio, e seu corpo estava gélido. Uma confusão na mente da jovem deixava-a encabulada, ela não conseguia achar respostas para tantas perguntas e nem razões para suas atitudes. Só via o tempo passar, e sim, ao contrário de muitos, ela vivia aquele tempo, sorria e aproveitava cada minuto, não que aquilo fosse pouco, mas havia algo errado.
Dentro daquela jovem habitava um coração confuso, já não haviam decisões a serem tomadas, ela só tentava se acalmar, acalmar aquele mesmo coração que já não conseguia pulsar lentamente. Ela não entendia e então, interrompeu rapidamente seus pensamentos só sabia que tudo tinha um por que, que no fim tudo daria certo, e com certeza aquele momento estava muito longe de ser o tão famoso fim.

domingo, 3 de outubro de 2010

Nostalgia

Ele me abraçava forte, e seu cheiro era como se ecoasse na minha mente, fazendo vibrar cada órgão meu. Sem proferir nenhuma palavra, era como se conversássemos, a segurança era transmitida e eu me sentia tranqüila, sem me preocupar com nada. O mundo aos meus pés e eu não sentia a necessidade de carregá-lo nas minhas costas.
Após um tempo, ao lembrar-me desse doce pretérito perfeito, me dá uma nostalgia, uma saudade, era como se todo aquele mundinho escorresse das minhas mãos como grãos de areia, finos e meus dedos entreabertos, deixando que caíssem sem poder impedir. O tempo passou e com eles foram-se esse momentos, vagos e perfeitos, que ao lembrar, percebo que a saudade não é motivo suficiente para que voltem. Se pudesse mudar, não mudaria, mas se pudesse voltar atrás com certeza reviveria, aproveitando cada segundo, cada minuto, e cada hora, que por pensar demais e agir de menos, deixei que o tempo levasse sem que eu pudesse viver e aproveitar da maneira correta.

domingo, 26 de setembro de 2010

Desilusões

Contos de fadas, amores correspondidos, finais felizes, existem? Caso existem, são coisas das quais desconheço, a vida dá voltas, o mundo gira, felicidade é um estado de espírito passageiro. Pessoas não mudam de humor porque querem, e sim porque a vida lhe dá motivos para que o humor delas dê uma volta por completo. Umas horas você está por cima, feliz de tal forma, outras horas, você esta péssima, acabada, sem forças para se manter em pé. Não é caso de força física, e sim mental, a cada dia uma nova prova, um novo desafio, uma nova esperança, uma nova desilusão. Chego por muitas vezes a acreditar que pessoas felizes, não existem. Que amores correspondidos, são raros. Casamentos se destroem, casais se divorciam, pessoas choram e entram em depressão cada vez mais. Num mundo, com milhões de pessoas, poucas se combinam, muitas ficam para trás. Decepções fazem parte do nosso dia a dia, um coração dilacerado, partido, mil pedaços, a cada dia, uma parte deste mesmo coração vai para o lixo, para o fundo do poço. Isso é o resultado de como as pessoas são hoje em dia, o que elas pensam e tem para si. O que fazer com tudo isso? A resposta de muitos é “deixa levar”, “a vida é assim mesmo, dê a volta por cima”, um dia sem sorriso é um completo desperdício, mas um sorriso verdadeiro hoje em dia vale tanto quanto achar um pote de ouro no meio de um nada, achar uma mina de diamante, ganhar na loteria. Ser feliz hoje em dia está tão complicado e difícil, que tenho medo de ser impossível. Espero o dia em que lerei isso e verei que estava equivocada, mas enquanto esse dia não chega, eu realmente deixo a vida levar...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ela: Sabe quando todos os seus sonhos se desmoronam?
Ele: Sim, eu sei.
Ela: Pois é, são os meus.
Ele: Talvez não fossem sonhos o bastante para você ser capaz de transformá-los em realidade.
Ela: Talvez sim, porém a realidade nunca foi capaz de me tornar forte o bastante para fazer esses sonhos saírem do meu travesseiro e andarem ao meu lado.

Infinito Paraíso

Um mar imenso e lá estava ela, parada, cercada por um infinito paraíso. Michaela, garota de cabelo loiro encaracolado, olhos cor de mel, bochecha bem rosada, a pele com um tom pálido, que dava a impressão ser de porcelana, como aquelas bonecas, lindas e frágeis. O mar ao seu redor, não era bonito, era lindo. Aquele lugar não se limitava em ser bom, era maravilhoso. A brisa, as cores, a areia e toda a calma transmitida.
E ela corria, como se flutuasse, sorria sem parar por um instante, ao perceber então que não estava sozinha, havia um garoto junto a ela, de cabelo preto, curto, olhos castanhos bem escuros, uma pele clara, mas ainda assim mais bronzeada que a da menina. Dessa vez a visão era nítida, eles corriam juntos, de mãos dadas, sempre sorrindo, os olhos brilhavam sempre quando encontravam a visão um do outro.
Resolveram parar, por cansaço talvez, sentaram-se sob um enorme coqueiro, olharam para o alto, e deitaram-se na grama ali existente. O fim da tarde, o sol se pondo, e todo aquele momento aparentemente ainda no inicio. Eles se entreolhavam diversas vezes porém não cansavam, era de uma certa forma prazeroso. O silencio não causava timidez, e sim talvez a ausência do que falar. Porém Michaela ao lembrar que a informação mais importante ainda não sabia, curiosa perguntou:
- Ei, afinal, qual o seu nome? Ainda não sei.
- Eduardo, e o seu? – sorrio levemente.
- Me chamo Michaela, prazer em conhecê-lo. – sorrio novamente e deu um beijo na bochecha do seu novo amigo, Eduardo.
Após um longo tempo de conversa, era como se já fossem íntimos, sabiam praticamente tudo um da vida do outro, e era inegável que a atração que sentiram a partir do primeiro olhar era muito forte. Um súbito silêncio toma conta daquele lugar, eles se olham intensamente, Eduardo passa sua mão com delicadeza sobre o rosto da garota, os rostos se aproximam, os lábios quentes buscavam pelo outro, e quando toda aquela sensação parecia tomar conta de todo o corpo e os lábios começaram a se tocar, um fim.
Toda aquela imagem se apaga, tudo fica escuro e ao mesmo tempo mais claro, a garota abre os olhos e se vê deitada, em sua cama, onde na noite anterior havia deitado, se dá conta então de que tudo não se passou de um sonho, porém era aquele um dos seus sonhos prediletos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bilhetes


E lá estava ela, sentada naquele lugar de costume, 3º fileira, 5º cadeira, olhando atenciosamente para o quadro, para o professor, prestando atenção em toda aquela aula, estavam equivocados todos aqueles que isso pensavam. Na realidade os pensamentos estavam em outro mundo, em outro espaço, em outra pessoa. Gabriela, garota de olhos azuis, realçados por um lápis de olho bem preto, a boca pouco chamativa, apenas com um simples gloss para dar um brilho especial em toda aquela palidez que era a sua pele.
Seus dias ultimamente haviam sido monótonos, nada de essencial, nenhuma novidade, nenhuma lágrima, nenhum sorriso verdadeiro. Seu namoro há algum tempo já não se passava de pura rotina, porém muito amor, aquele garoto da sua sala fazia seu coração pular, suas pernas tremerem, borboletas em seu estomago aparecerem, era ele, o causador de todos aqueles efeitos.
Algo toca sua cabeça e então todos os pensamentos se romperam em questão de segundos, ao olhar para baixo, percebeu então que era um papel que havia a tocado, um papel comum, como aquele que ela e Felipe (seu namorado) trocavam diariamente. Pegou-o rapidamente, e abriu cuidadosamente, mas algo lhe dizia que não era tão bom, quanto todas as outras vezes. Começou a ler então:
“Meu amor... Como é tão difícil lhe dizer isso, covardia minha estar falando por um simples papel, porém foi à forma mais fácil que encontrei. Não tá dando mais certo entre nós dois. Esteve tudo tão bem, mas não está mais, na verdade o meu amor por você não é mais o mesmo, com o tempo todo aquele sentimento se acabou, eu lamento não ter lhe dito isso antes, mas eu tive que pensar bastante, para tomar a decisão certa. Não sofra, por favor, eu só preciso pôr um fim.”
Lágrimas invadiram seus olhos subitamente, ela fechou os mesmos, mordeu seus lábios com certa força, segurando-se para não chorar. Então, após alguns minutos escreveu:
“Eu entendo, e creio que nada posso fazer. Me desculpe por qualquer coisa, só queria que soubesse que eu te amo muito, e enfim só há uma coisa que eu realmente devo fazer”
Lançou o papel para trás, e após pouquíssimo tempo, o recebeu de volta, abriu o papel:
“O que você deve fazer?”
Escreveu rapidamente:
“Sou obrigada a te esquecer.”
Ele: “Creio que realmente deva ser o melhor a fazer.”
“Nisso tudo, só há uma única dificuldade.” Gabriela escreveu.
“Qual?” Perguntou ele um tanto curioso.
“Convencer meu coração desta verdade.”

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


Ela: Me esqueça.
Ele: Por que diabos devo fazer isso?
Ela: Por mim, eu não te quero mais aqui- Falou, ríspida, porém seu coração diria outra coisa totalmente diferente.
Ele: E porque você não me quer mais aqui?
Ela: Porque eu estou tentando, e eu preciso te esquecer, sem mais perguntas, por favor.
Ele: Me esquecer? Se você nunca me teve na cabeça?
Ela: Isso é o que você pensa. Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim, e sobre meus sentimentos.
Ele: Então me conte.
Ela: Não há mais tempo, já falei. Vá embora.
Ele: Você quem esta dizendo que não há mais tempo. Quer que eu vá embora?
Ela: Não é questão de querer, é questão de ser necessário.
Ele: Você fala como se você sentisse algo por mim, além de amizade.
Ela: E se existisse, do que adiantaria? Você me daria às costas e diria que não passamos de bons amigos.
Ele: Como você pode saber?
Ela: Eu conheço você.
Ele: Conhece a mim, não a meus sentimentos.
Ela: Conheço o bastante para saber o que faria.
Ele: Não conhece o bastante a ponto de saber que eu te amo.
Ela: E você não me conhece tanto, a ponto se saber que eu sempre te amei.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A última rosa.


Após 9 meses de relacionamento, o nosso namoro estava esfriando, não é algo que eu gostaria que acontecesse, eu o amava tanto, e em momento nenhum eu poderia querer isso. Mas foi algo que foi acontecendo. As provas do colégio, as amizades, e depois de tanto tempo aos poucos estávamos nos afastando, sem perceber. Ao olhar para trás, que percebemos tais mudanças, as inúmeras ligações cotidianas, foram diminuindo, a ponto, que eu poderia ficar dias sem falar com ele. As visitas a minha casa todos os dias foram se tornando cada vez mais raras. Eu ainda era muito apegada a ele, o tempo me tornou dependente daquela presença masculina na minha vida. Após todos os acontecimentos, para mim, estava tudo normal, porém, creio que para ele, não, não estava tudo bem.

Marcamos então um encontro, na pracinha, perto da minha casa, e não muito longe da dele. Precisávamos conversar, sobre a vida, havia algum tempo já que não fazíamos isso. Eu só pensava em revê-lo, sentir aqueles lábios me tocarem mais uma vez, sentir aqueles braços me abraçarem de uma forma que eu sempre perdia o meu chão, eu precisava daquilo, ao menos mais uma vez. Na hora marcada, me arrumei e fui para o local combinado. Após uma curta caminhada, precedida de muita ansiedade, finalmente cheguei, e lá estava ele, lindo como sempre, com aquele cabelo liso, preto, jogado para o lado, uma combinação perfeita com o seu olho verde claro e a sua pele morena.

- Meu amor, quanto tempo... Parece que faz anos que não nos vemos. – Abracei-o com força.

- Realmente, é como se fossem anos. -Seus lábios quentes tocaram a minha testa.

Pude perceber com rapidez, ele estava estranho, talvez, só comigo. E a conversa prosseguiu... Uma conversa morna, sem muito interesse, assuntos do cotidiano. E então nenhuma demonstração real de afeto. Até que...

- Camila, não dá mais pra agüentar, eu vim aqui, pois precisamos conversar, vim para tratar de um assunto, tão difícil, que por muitas vezes me pego fugindo de ter que tocar nele. – A voz dele mudou de tom, não era mais aquele tom calmo, era como se ele estivesse nervoso, tenso com alguma coisa.

- Pode falar Henrique, eu quero saber o que é tão difícil para você, conte-me. Não me esconda, não fuja, você sabe que estou sempre aqui. – Falei, sendo forte, mas não bastava muito para perceber o meu medo lá no fundo.

- Bom... – Fez uma breve pausa, e então continuou. – Há algum tempo que o nosso relacionamento vem se esfriando, aos poucos fomos nos afastando cada vez mais.

- Sim, eu sei, e isso não ira mais acontecer, vamos voltar a ser o que era antes. – tive de interromper, eu já sabia onde aquela conversa iria dar, e era daquele fim que eu tinha tanto medo.

- Me ouça. – Falou, voltando ao seu tom de voz calmo. – Eu ainda a amo, e isso eu não posso negar, nem a você, nem a ninguém. Sendo que esse amor não é o bastante, não é o suficiente para continuarmos juntos.

- Mas o meu amor, junto com o seu, é o bastante, eu sei disso.

- Não meu amor, não é. Obrigada por todo o tempo que esteve ao meu lado, obrigada por todo esse amor, acredite, eu também te amei muito, só que não dá mais, eu não posso mais adiar o fim, preciso de um tempo, um tempo pra mim. – Com um ato repentino, ele esticou sua mão direita, puxou uma rosa, a mais bonita, das diversas flores que haviam ao nosso lado.

Lágrimas caiam dos meus olhos, era impossível contê-las, aquele era o fim. E como típico dele, carinhoso e romântico, me entregou aquela rosa, enxugou minhas lágrimas, levantou e saiu, eu não poderia prendê-lo aqui ao meu lado, deveria deixá-lo ir. E então abaixei minha cabeça, e encarei aquela rosa, que agora estava em minhas mãos, ele me deu aquela rosa, e eu sabia que seria a última.

Um pedido.




Dessa vez foi diferente, a nossa briga estava sendo séria, talvez ali todos aqueles sonhos pudessem se acabar. Sentei na cama, a mesma com lençóis amassados, jogados por cima de uma noite calma, a noite se foi, os lençóis não. Feito meu coração, amassado e bagunçado. No meio de toda aquela discussão, não pude segurar, uma lágrima escorreu dos meus olhos, com um ato extremamente rápido, ergui minha mão ate minha face, onde enxuguei aquela lágrima indesejada, eu precisava ser forte, era necessário. A briga continuou, a lágrima que escorreria seria imperceptível, ou talvez inútil, aquele triste momento não estava perto de acabar.

- Por todo esse tempo eu confiei em você, confiava de olhos fechados se necessário. Tudo isso você pôde destruir, jogar no lixo, como se fosse um nada. - Falei com a voz ainda tremula.

- Eu sei, sei que errei, toda confiança que você depositou em mim, não posso me perdoar, por ter feito tudo que fiz. – Disse ele, com aquele tom angelical, que meche completamente comigo, mas eu deveria ser forte, não podia me deixar levar.

- Como você pôde? Todo esse tempo, eu daria minha vida por você, e você nem a confiança que eu tinha você conseguiu preservar. – Era difícil, e então doía, não consegui, lagrimas escorreram, e eu não pude conte-las.

- Eu entendo seu sofrimento, mas, por favor, não sofra por mim, não consigo ver isso.

- Não sofrer? Como não sofrer? Se você não quisesse meu sofrimento não teria feito, não teria me traído.

- É tão difícil para mim, e mais ainda pra você. Foi só uma noite, uma noite que não vale nada, e ainda assim eu consegui acabar com tudo.

- Parabéns, conseguiu acabar com tudo. Eu te amo tanto, mas pra que? Pra você jogar todo esse sentimento no lixo, tudo isso pro fundo do poço. Se não me amasse falava, talvez pudesse ter sido mais fácil.

- Eu te amo, amo muito, eu jamais vou me perdoar por ter feito o que fiz, mas você... me perdoa?

- Te perdoar? Como posso? Você teve sua chance, e olha o que fez... – Minha voz falhando, lágrimas escorriam involuntariamente.

- Todos merecem uma segunda chance, me dê a minha, eu te imploro.

- Te dar? Pra que? Pra errar novamente?

- Não, mas pra mostrar o quanto estou arrependido, e não farei novamente.

- Por que daria essa segunda chance?

- Por isso.

Em fração de segundos, os nossos lábios se encontravam, foi muito rápido, não pude evitar, e ainda assim, se pudesse não teria forças o bastante, meu coração a ponto de sair pela boca, não se decidia em parar ou disparar, estava rápido demais, e ao mesmo tempo lento. Aqueles lábios quentes enroscavam-se aos meus, que se afastavam aos poucos. Abri meus olhos, e então uma caixa pequena, preta, estranha e ao mesmo tempo comum, estava a minha frente, confusa, perguntei.

- O que é isso?

- É a prova do meu amor, eu te amo tanto.

- Mas...

- Mas nada, basta responder, aceita se casar comigo?

Ele abriu aquela pequena caixinha, nela havia duas alianças, duas lindas alianças.

- É... Sim.

Um sorriso surgiu dos lábios dele, nossos lábios se encontraram novamente, sei que o certo, era dizer não, depois de tudo. Mas meu coração falou mais forte que a razão, era o sim que eu queria, e sim saltou da minha boca, como uma palavra que contra a minha vontade era obrigada a ser dita. Enfim, após tantas palavras e acontecimentos, eu só poderia ter certeza de uma coisa naquele momento, aquele é o homem que eu amo, é ele com quem devo permanecer.


Definição.



Debruçada na janela, como de costume, me pego olhando as estrelas, a lua, o céu, e todo meu infinito particular. Me perco em meus pensamentos, como se quisesse decifrar alguns segredos, ou descobrir respostas em mim mesma. Em algum ponto de meus pensamentos, paro para tentar achar o sentido real de toda essa vida, de todas as possibilidades, a uma só eu pude me apegar, a mais simples, e ao mesmo tempo complexa. VIVER, de verdade, com coragem, com sinceridade, capacidade, simplicidade. Aproveitar é uma das palavras que a define, aproveitar o sol em um dia qualquer, a chuva no final de semana, os dias tediosos de toda rotina, a noite sem programação, o brilho do olhar de quem se odeia, o carinho das pirraças de quem se ama, aproveitar o bom de todo o ruim. Amar, outra palavra que a define, amar o sol, a lua e todas as estrelas,amar as pessoas que mesmo de longe te acompanham como se estivessem perto, as pessoas distantes que mesmo insignificantes, fazem parte do seu dia a dia, amar quem te fez sofrer, porque apesar de tudo, também te fez crescer, amar enfim quem esteve ao seu lado em todos os momentos, te fazendo superar todas as desilusões e fazendo rir de todos os constrangimentos. Sorrir, de alegria ou de vergonha, de dentro pra fora, de verdade, com vontade, talvez sorrir para não chorar, coisa comum, feita com os olhos cheios de lagrimas. Chorar, de felicidade, ou de dor, ação praticada por uma palavra que com muito esforço não consegue ser expressada, palavras que o coração não consegue dizer, mas consegue sentir. Viver enfim, pode juntar o sentido de muitas outras palavras em uma só, por isso, de todas as maneiras, formas, frases e palavras, viver foi a minha escolhida para definir toda essa vida, passado, presente e futuro, que indefinida, nos define.

Chuviscos.


Olho pela janela, a chuva cai, gotas de uma água transparente, um coração apertado, uma mente confusa. Decido então sentir aquela água, me olho no espelho, e chego a conclusão que não há mais tempo pra pensar, hora de fazer certas coisas por impulso. Abro a porta e saio. A água escorrendo pelo meu rosto, descendo pelo meu corpo, fria e lentamente, uma sensação de tranqüilidade, a mente esvaziando aos poucos, aquela chuva que antes me trazia um certo tédio, agora trás paz, talvez a vida seja assim, enxergar o melhor nas piores coisas, aproveitar o bom do ruim, sorrir querendo chorar, ficar em pé, quando se quer cair... Mas é assim, se quiser ser feliz, veja a felicidade nas maiores tristezas!